Texto de (*) Ester Neves
Na era FHC a corrupção era jogada para debaixo do
tapete
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Desde
o início do seu mandado FHC demonstrou que um governo transparente não estava
em seus planos, quando acabou com a CEI – Comissão Especial de Investigação –
constituída por representantes da sociedade civil e presidida pelo ex-ministro
Romildo Canhim. Essa comissão foi criada pelo ex-presidente Itamar Franco, para
subsidiá-lo com informações a respeito da corrupção existente no país.
No
final de 1994, a CEI divulgou um relatório que revelou a extensão e a gravidade
do problema. Esse estudo mostrou que, após a era Collor, a corrupção não só
aumentou como se tornou mais sofisticada.
Na
era FHC, foram muitos os graves indícios de corrupção, que houve em seu
governo. Todos jogados para debaixo do tapete.
Foi o Caso da Pasta Rosa, do Sivam, do PROER, e, o pior de todos, no meu ponto de vista:
trata-se da denúncia do Jornalista Hélio Fernandes, no jornal Tribuna da
Imprensa, edição de 24.04.97, que apontou o filho de FHC, Paulo Henrique, como
segunda pessoa na empresa do maior beneficiado com a privatização da Vale do
Rio Doce, Light e outras estatais, Sr. Benjamin Steinbruck.
A
Vale foi uma empresa surrupiada do povo brasileiro. Antes da sua entrega o seu
patrimônio mineral foi avaliado em US$ 1 trilhão e 500 bilhões. Foi “vendida”
por ridículos R$ 3 bilhões, sendo que a metade dessa quantia foi liquidada com
moedas podres. Os “compradores” também foram favorecidos com financiamentos do
BNDES e créditos fiscais.
Em
apenas um semestre, o primeiro de 2000, o lucro oficial da Vale do Rio Doce foi
R$ 1,1 bilhão.
Não
menos grave que o caso da venda/doação da Vale do Rio Doce foi o caso da venda
da Telebrás, que foi revelada através do escândalo das conversas telefônicas
grampeadas, que aconteceu no ano de 1998.
Os
diálogos divulgados despertam a indignação de qualquer cidadão de bem.
Veja,
a seguir, alguns trechos, bastante significativos, dessas conversas:
Da conversa de Mendonça de Barros com
Jair Bilacchi, então presidente da Previ (fundo de pensão dos funcionários do
Banco do Brasil):
-
Mendonça de Barros: “Estamos aqui
eu, André (Lara Rezende, então presidente do BNDES), Pérsio (Arida - sócio do
banco Opportunity e ex-sócio de Lara Rezende) e Pio (Borges, então
vice-presidente do BNDES), mas estamos aqui preocupados com a montagem que o
Ricardo Sérgio (Diretor do Banco do Brasil) está fazendo do outro lado
(referindo-se ao consórcio “borocoxô”, formado pela “tele-gangue”, que o então
ministro Mendonça de Barros gostaria que fosse montado apenas para fazer
figuração), porque está faltando dinheiro doutor.
-
Jair Bilacchi: Ministro, nós estamos
concentrando forças e nossa proposta é bem diferente. (...)
-
Mendonça de Barros: Tudo bem. Mas, o
importante para nós é que vocês montem com o Pérsio (Arida - sócio do banco
Opportunity e ex-sócio de Lara Rezende), evidentemente chegando a um acordo.
Da conversa de Mendonça de Barros com Ricardo
Sérgio, então diretor do Banco do Brasil (o tal que Antônio Carlos Magalhães
denunciou ter recebido uma propina de R$ 90 milhões, para ajudar
na formação do consórcio Telemar):
-
Mendonça de Barros: Tá tudo
acertado. Os dois consórcios, né? Agora o de lá está com problemas de carta de
fiança, entende? Não dá para o Banco do Brasil dar, ô Ricardo?
- Ricardo Sérgio: Dá. Eu acabei de dar.
-
Mendonça de Barros: Ah! Tá vendo
como eu conheço você? (...)
- Ricardo Sérgio: O Banco do Brasil está financiando tudo.
- Mendonça de Barros: Eu sei, meu filho. Conto com você.
- Ricardo Sérgio: Nós estamos NO
LIMITEDA NOSSA IRRESPONSABILIDADE.
-
Mendonça de Barros: Não, não.
- Ricardo Sérgio: Eu dei 3 bi de crédito aqui (...)
-
Mendonça de Barros: É lógico. Mas
nisso aí estamos juntos, pô!
- Ricardo Sérgio: Não, tudo bem. E na
hora que der merda, nós estamos juntos desde o início (...)
Da conversa de Mendonça de Barros com o
irmão José Roberto:
-
Mendonça de Barros: Agora, nessa
sala de operação tá uma operação de levanta consórcio, depois dá uma rasteira,
joga lá embaixo. Oh! Tá engraçado!
- José Roberto: Essa frase sua é antológica: Todo mundo mente,
inclusive eu (...).
-
Mendonça de Barros: Eu tenho uma boa
notícia, vai: A MCI vai entrar.
- José Roberto: Ah, é?
-
Mendonça de Barros: É tanto que
agora nós estamos aqui nessa gangorra, nós estamos agora derrubando o outro
consórcio, que é mais fraco.
- José Roberto: Tá, tá.
-
Mendonça de Barros: Não, sabe por
que Beto? – Porque você controla o dinheiro, na boa. O consórcio é feito aqui,
pô. Evidente, a MCI, como é grande, independe. Ela vai entrar junto com a
Telefônica, então não precisa de dinheiro do BNDES. Agora, mas esses consórcios
borocoxôs que estão sendo formados aqui é tudo daqui (do BNDES). Então o Pio
ora levanta...
Da conversa de Mendonça de Barros com
Lara Rezende, então presidente do BNDES:
-
Mendonça de Barros: Só tem um jeito
deles combinarem um ágio com o Banco do Brasil.
- Lara Rezende: Ele perguntou se eles limitarem (referindo-se a
possibilidade de o Banco do Brasil limitar o ágio). Eu disse não. O negócio é o
seguinte: vocês primeiro dão um play a noite inteira. E depois o seguinte:
desrespeita a autorização, abuso de poder se for o caso (...).
A
divulgação dessas fitas trouxe à tona as negociatas forjadas nos bastidores do
poder, com relação às privatizações.
Por
esse tempo, FHC praticou uma série de maldades, como, por exemplo, reduziu as
já minguadas verbas da educação, mandando cortar a merenda das crianças.
Entretanto, esse mesmo governo tinha recursos públicos para promover a maior
maracutaia de que se tem notícia, em nossa República.
Em
seu livro “Um balanço do desmonte do Estado” o jornalista Aloysio Biondi
revelou que, antes de vender as empresas telefônicas, o governo investiu 21
bilhões de reais no setor, em dois anos e meio, para entregá-lo ao setor
privado por apenas 8,8 bilhões, e ainda financiando a metade desse valor,
portanto, sem sombra de dúvidas essa foi uma transação imoral, que não tem
outro nome que não seja: CORRUPÇÃO.
Ora,
como se não bastasse o fato das empresas terem sido subavaliadas, a forma como
o processo aconteceu não deixa dúvidas: as privatizações foram realizadas,
conforme vimos nos trechos das conversas telefônicas divulgados, à margem da
ética e da Lei, porque quebraram os princípios básicos estabelecidos no Art.
37, da Constituição Federal, para pautar os atos do governo na gestão da coisa
pública, que diz: “A administração publica direta, indireta e fundacional, de
qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade...”
O
sigilo, caráter primordial da lei de licitação, também foi quebrado, quando o
então ministro das Comunicações, Mendonça de Barros, e o então presidente do
BNDES, Lara Rezende, envolveram-se em negociatas com seus amigos e
financiadores da campanha eleitoral de FHC, interessados na aquisição/doação
das empresas estatais.
Ficou
evidenciado que o tripé da corrupção estabelecido nos processos de privatização
foi o seguinte:
1 – Os fundos de pensões das empresas estatais
foram utilizados para a formação de consórcios, em parceria com a(s) empresa(s)
privada(s) que queriam privilegiar.
2
– O próprio BNDES, portanto um órgão público, financiava os valores, em
condições privilegiadas.
3
– As garantias dos empréstimos foram feitas através de fianças dadas por outro
órgão público, o Banco do Brasil.
Em resumo: Os amigos do poder, financiadores das campanhas
eleitorais tucanas, “compravam” empresas do estado, com dinheiro do Estado
(financiamento do BNDES) e, risco para o Estado (fiança do Banco do Brasil).
CPI DA PRIVATARIA TUCANA JÁ!
(*)
Ester Neves – escritora evangélica, autora do livro “Cidadania é para todos
(inclusive para o povo cristão)”

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