Texto de Ester Neves
O
caráter de um cristão genuíno é moldado de acordo com os princípios
fundamentais do cristianismo, que estabelece como Lei Suprema "Amar a Deus
de todo o coração e ao próximo como a si mesmo".
Caráter é um fator da personalidade, que
influencia o modo como agimos, inclusive em sociedade. Creio que é por isso que
o cristão foi definido por Cristo como "sal da terra" e
"luz do mundo".
O sal age, reage, tempera, transforma. Quanto à luz, não pode ser escondida, mas,
sim, colocada no velador, para alumiar a todos.
Participar para transformar, qualquer situação na qual esteja faltando sal e
luz, deve ser o lema de todo cristão, que queira adotar uma atitude coerente
com o seu caráter de "cidadão dos céus".
Cada país adota uma forma de governo, através da qual se estabelecem as relações
entre os cidadãos e desses com o poder constituído e vice-versa.
Nossa Constituição estabelece o seguinte: "Todo o poder emana do povo, que
o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta
Constituição".
Portanto nossa Carta Magna garante aos cidadãos brasileiros uma
democracia representativa e atuação direta, através das instituições criadas
com a finalidade de organizar a participação política e social do povo, tais
como: associações de moradores, sindicatos, partidos políticos, etc.
Quando falamos em democracia representativa, estamos falando em um sistema de
governo em que os cidadãos elegem suas lideranças para governarem e legislarem
como seus representantes, na defesa dos seus interesses. Todavia, o dever do
cidadão não se restringe ao ATO DE VOTAR, como muitos julgam ser suficiente.
Se o cidadão vota por votar é preferível que não o faça.
O
voto só tem valor, como instrumento de poder democrático, quando é
consciente.
Porém, como votar consciente sem uma participação efetiva? Sem que o cidadão
conheça a atuação política daqueles que estão se propondo a representá-lo no
poder?
Infelizmente, devido as condições que lhe tem sido impostas, o povo tem tido
dificuldades para se fazer representar, verdadeiramente.
Alguns fatores têm contribuído para a fragilidade da nossa pobre democracia,
dentre os quais se destacam: a atuação da mídia voltada para a defesa dos
interesses dos seus patrocinadores, e a influência do poder econômico nas
eleições.
A política econômica que está sendo implementada em nosso país, de acordo com
os princípios do neoliberalismo ou livre comércio, só tem chance de dar certo,
para o povo, onde existe democracia forte, como é o caso dos Estados Unidos da
América. Lá existem instituições verdadeiramente representativas dos cidadãos,
inclusive algumas instituições que defendem os interesses do povo evangélico,
de acordo com a ética cristã, dentre as quais se destacam: Chistian Defense
Fund, Christian Coalition e Coral Ridge Ministries.
Diante do quadro de injustiça e miséria, os cidadãos brasileiros,
verdadeiramente cristãos, não podem ficar omissos. Pois, sabemos que AMOR e
JUSTIÇA são os fundamentos do caráter de Deus. Jesus, no cumprimento do seu
mister, revelou isso. Foi homem de amor e de justiça.
Como "cidadãos dos céus", não podemos deixar de refletir o caráter de
Jesus.
Os filhos das trevas organizam-se para defenderem seus interesses. Sabiamente,
eles utilizam-se dos canais democráticos de que dispõem.
O que está fazendo o povo evangélico em favor da vida?
Costumamos fazer oposição à pena de morte, mas não nos opomos à miséria, um
instrumento de morte lenta.
O Brasil social é constituído por cada um de seus cidadãos. Portanto, cada um,
como uma pequena partícula do todo, é responsável, em maior ou menor grau, pela
construção da sociedade brasileira. E, igualmente, todos sofrem as consequências
dos males que ajudam a construir, por omissão ou comissão. Podemos citar, como
exemplos, a violência, a dengue e muitas outras doenças que se alastram, como
fruto do descaso com a saúde do povo.
No meu entender, a igreja, enquanto instituição, não deve atuar diretamente na
política. Porém, no desempenho da sua função de "sal da terra" e
"luz do mundo" o cidadão evangélico e todos os que se dizem cristãos
devem atuar, não apenas na política, mas onde se fizer necessário. Portanto,
não é a política interferindo na vida espiritual do povo, mas o contrário.
Podemos participar da construção da nossa cidadania em qualquer instituição,
tal como, partidos políticos, sindicatos, associações de moradores, etc.,
cujo conteúdo programático e doutrinário esteja de acordo com os princípios da
ética cristã. Podemos também criar instituições especificas para esse
fim.

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